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segunda-feira, junho 27, 2011

Quem é Jonh Doe?


Em meio a uma sala escura um homem desacordado de aproximadamente quarenta anos, um pouco acima do peso e com a cabeça apresentando sinais de calvice, vestia um terno azul marinho surrado e rasgado em alguns pontos e seu corpo exalava um cheiro forte de colônia e suor, sentava-se a uma cadeira grande de madeira, seu braços e pernas presos por correias de couro, marcas em seus pulsos mostravam o quão apertadas estavam. A sua frente podia-se ver uma mesa também de madeira, com um abajur apontando a luz diretamente para seu rosto.

Lentamente, o homem acordou, soltando um leve gemido de dor, ele sentia como se todos os ossos de seu corpo estivessem quebrados, e a luz forte era como mil agulhas perfurando seus olhos. Após o que pareceram horas, seus olhos se acostumaram à escuridão e ele pode distinguir a forma de outros dois homens sentados do outro lado da mesa, fora do alcance da luz.

- O que vocês querem? Eu não fiz nada! Digam o quanto querem, eu posso pagar!! - gritou o homem preso a cadeira, sua voz traindo o medo que sentia no momento.

Um dos homens se levanta e movesse mais para perto da mesa, ainda mantendo seu rosto nas sombras.

- Quem é você? - Pergunta o homem que se levantou.

Sem entender o que estava acontecendo e temendo o que esses dois homens que se esforçavam para manterem-se anônimos poderiam fazer, o homem preso a cadeira rapidamente respondeu com a voz tremendo:

- Meu nome é Steve Moore, CEO da Working Electronics, eu tenho muito dinheiro, se é isso que vocês querem.

O homem que permanecia sentado nas sombras, ao ouvir o nome de seu prisioneiro, ergue o que parece seu uma pasta de couro e tira uma pasta arquivo de dentro, entregando logo em seguida ao homem que permanecia em pé. O homem em pé, abre a pasta e a deixa aberta de frente para o prisioneiro, nela podiam se ver diversas fotos do homem aprisionado, bem como a de um corpo desfigurado.

- Steve Moore, 41 anos, casado, dois filhos, Jéssica e Willian. - Diz o homem que estava em pé. - Morto em agosto de 2008, assalto a mão armada, você passou quase três anos no lugar dele. - Após uma pausa ele pergunta novamente. - Quem é você?

O homem em pé pisca por um instante e o prisioneiro havia sumido, no lugar dele agora se sentava um velhinho, de setenta anos, a pele queimada de sol, vestindo um colete e em chapéu de pesca que cobria sua cabeleira branca. Seu rosto demonstrava a paz que algumas pessoas encontram quando chegam a certa idade, mas seus olhos exibiam o brilho da loucura e do desespero. Lentamente o velho falou, como se a idade avançada não permitisse que fizesse muito esforço, sua voz mostrando um forte sotaque escocês.

- Eu sou Peter MacCloud de Aberdeen. O que querem de mim? Já estou velho e não posso fazer mal a ninguém.

O homem sentado nas sombras retira outro arquivo da pasta de couro e entrega ao homem de pé. O homem põe a pasta aberta sobre a anterior, nessa apareciam fotos do velho alguns anos mais novo, algumas em preto e branco, além de uma foto mostrando um corpo à beira de um rio em avançado estado de deterioração.

- Peter MacCloud, 55 anos. Dono de uma casa a beira do rio em Aberdeen. Três filhos e duas filhas, 5 netos. Ataque fulminante do coração enquanto pescava, foi jogado no rio para que seu corpo não fosse encontrado. - Diz o homem em pé, e volta a perguntar. - Quem é você?

Novamente, sem que os outros percebessem, o velho desaparece e no lugar dele surge uma mulher. Incrivelmente bonita, a pele clara e longos cabelos negros, olhos de um azul elétrico e lábios vermelhos como sangue, vestia um longo vestido sem alças vermelho com uma abertura lateral que deixava aparecer parte de sua perna, um leve perfume começou a se espalhar pelo ar vindo dela. Apesar de seu rosto bonito, sinais do desespero começavam a surgir em seu rosto e seus olhos brilhavam cada vez mais, mas ao falar em francês, sua voz saiu doce e encantadora e com certa autoridade.

- Eu sou Jean-Marie Delacroix e exijo que me soltem agora mesmo.

Mais uma vez o homem sentado nas sombras retira um arquivo de sua pasta de couro e entrega ao homem de pé, que a põe aberta em frente a mulher. Esse arquivo mostrava apenas a foto de um quadro antigo onde podia se ver a mulher sentada sobre um divã em uma sala luxuosa.

- Jean-Marie Delacroix - Começa o homem, também em francês - . Pouco se sabe sobre ela, mas no inicio do século vinte frenquentou assiduamente os bailes nobres de Paris, para depois sumir completamente. Acreditamos que tenha sido alguma cortesã.

Sem esperar que o homem perguntasse novamente, a mulher muda de forma e aparece como um jovem de vinte e poucos anos, cabelos castanhos claros curtos, olhos da mesma cor, vestindo camiseta e calça jeans rasgada. Suando e agora completamente desesperado, o rapaz grita e saco a cadeira tentando escapar das correias.

- John, John Winter, moro em Nova York, moro com meus pais lá a mais de quinze anos!!!!

- John Winter... - Fala o homem em pé, enquanto se dirige ao outro homem sentado para pegar mais uma pasta e começa a folhea-la. - Esse é interessante, os pais dele ficaram surpresos com sua milagrosa recuperação do câncer. Encontramos o corpo dele emparedado no hospital onde estava internado, você devia ser um dos enfermeiros naquele dia. Felizmente sabemos que não foi você que o matou, a doença fez o trabalho sujo em seu lugar. - Então o homem levanta a cabeça e olha diretamente para o rapaz que se diz John. - Volto a perguntar, quem é você?

Nessa hora o menino perde o controle e tenta escapar tentando de tudo para arrebentar as amarras enquanto grita.

- Eu não sei!!! Me deixem ir, eu não sei!!!

Um homem que aguardava atrás do prisioneiro se aproxima então com uma seringa cheia de um liquido que ele injeta no prisioneiro. A consciência do prisioneiros começa a fugir enquanto seus gritos ficam cada vez mais fracos. A última coisa que ele ouve é o homem em pé falando:

- Não se preocupe John, quem e o que você é, nós vamos descobrir. E vamos usar isso em nosso favor.

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